ECG 17

ECG traçado de D2 longo de uma paciente de 23 anos com síndrome alcoólica fetal. Foi submetida à correção de Defeito do Septo Atrial forma Parcial (CIA tipo Ostium primum) e troca de valva mitral aos 13 anos, evoluindo com estenose de prótese mitral de grau
importante. Atendida no PS com este ECG:

Clique na figura para ampliar:

Laudo:

Ritmo de taquicardia atrial com condução àtrio-ventricular variável.

Comentários:

O leitor ao analisar o eletrocardiograma pode ter interpretar este ritmo como fibrilação atrial o que não estaria tão errado pelo fato do traçado em DII longo apresentar o padrão de RR irregular. Entrentanto, neste ritmo com intervalos RR irregular alguns períodos são notados uma certa regularidade do ciclo principalmente no final do traçado. Entretanto, nota-se atividade atrial maior que ventricular as vezes 2 ondas P para cada complexos QRS e as ondas P encontram-se dentro dos complexos QRS e do segmento ST. O motivo dos intervalos RR serem irregulares está ligada ao fato do nó atrio-ventricular apresentar a propriedade decremental, filtrando alguns estímulos provenientes dos átrios “deixando passar” aos ventrículos depende da refratariedade do nó AV. A taquicardia atrial é comum em pacientes com cardiopatias congênitas corrigidas ou não.

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– ABORDAGEM EM ARRITMIAS NO PRONTO SOCORRO

Conteúdo programático do Curso       

1- Apresentação do curso e cronograma

2- A interpretação do ECG normal

3- Exercícios – 20 ECGs para laudar

4- Bloqueios de ramo

5- Exercícios – 20 ECGs para laudar

6- Bradiarritmias e Bloqueios átrio-ventriculares

7- Exercícios – 20 ECGs para laudar

8- Taquiarritmias

9- Exercícios – 20 ECGs para laudar

10- O ECG pediatrico

11- Exercícios – 20 ECGs para laudar

12- ECG miscelânea

13- Exercícios – 20 ECGs para laudar

14- Marcapasso artificial

15- Exercícios – 20 ECGs para laudar

Curso ministrado por Dr. Felipe A. O. Souza e convidados

Médico com Especialização em Clínica Médica e Cardiologia

Autor e Editor do Guia de Eletrocardiografia da UNIFESP-EPM

DIA: 02/06/2012 – SÁBADO

HORARIO: 08:00 – 18hs

LOCAL: CBBW – Auditórios na Paulista
Av. Paulista, nº 1776 – 2ºandar
Cerqueira César – São Paulo – SP

Inscrições abertas !   Vagas Limitadas !

(CLIQUE AQUI)

CURSO DE ELETROCARDIOGRAFIA PEDIATRICA – UNIFESP

V CURSO BÁSICO DE ELETROCARDIOGRAFIA PEDIÁTRICA


Coordenação: Profa. Dra. Maria Suely Bezerra Diógenes

    Prof. Dr. João Chaker Saba 

    Prof. Dr. Antonio Carlos Camargo Carvalho

 

Data: 02/05/2012 a 30/05/2012, às 4as-feiras

Local: Anfiteatro do 15º andar do Hospital São Paulo- UNIFESP

Horário: das 18:00h às 21:00h

Inscrição: http://proex.unifesp.br/eventos/eventos12/ecg

 

 

PROGRAMA PRELIMINAR

                                                      02/05/12: 4ª-feira

17:00-17:30h – Entrega do material

17:30-18:00h – Abertura

18:00-19:30h – O ECG Normal no período neonatal, na infância e adolescência

19:30-20:00h – Coffee break

20:00-21:00h – O ECG normal: aula prática

 

                                            09/05/12: 4ª-feira

18:00-18:45h – O ECG patológico: Índices, sinais e causas de sobrecarga de câmaras cardíacas

18:45-19:30 – O ECG patológico: aula prática

19:30-20:00h – Coffee break

20:00-21:00h – Bloqueios de ramo e hemibloqueios. O que significam?

 

                                               16/05/12: 4ª-feira

18:00-19:30h – Miopericardites; isquemia, lesão e necrose; distúrbios eletrolíticos

19:30-20:00h – Coffee break

20:00-21:00h – Aula prática

 

                                                          23/05/12: 4ª-feira

18:00-19:00h – O  ECG nas cardiopatias congênitas: sinais que orientam o diagnóstico

19:00-19:45h – Aula prática

19:45-20:15h – Coffee break

20:15-21:00h – Introdução às arritmias cardíacas

 

                                                     30/05/12: 4ª-feira

18:00-18:45h –  Bradiarritmias

18:45-19:45h – Arritmias supraventriculares – Teoria e Prática

19:45-20:15h – Coffee break

20:15-21:00h – Arritmias ventriculares – Teoria e prática

ECG 06

Paciente de 6 anos de idade, sexo feminino

Pregresso: Ao nascimento: recem-nascido termo, parto normal, alta com 1 dia de vida; A mãe refere cianose desde os primeiros dias de vida. Aos 2 meses, teve o diagnóstico de cardiopatia cianogênica, sendo submetida a atriosseptostomia por balão.

Atual: Referenciada ao PS de Pediatria com o  diagnóstico de pneumonia (até o momento, sem acompanhamento).

ECG da criança aos 6 anos de idade -atual- (clique na imagem para ampliar)

Dra. Ana Carolina Tineli Bianchini

Laudo: Ritmo sinusal, situs solitus atrial, FC = 100, sobrecarga atrial direta (onda P com amplitude aumentada), condução atrioventricular preservada (PR=0,08), SÂQRS -180º (desvio para direta), onda R pura em V1, demonstrando sobrecarga ventricular direita importante, sugerindo VD sistêmico.

Comentários

Quando se avalia um caso de cardiopatia congênita, é importante atentar-se para o fato de que os seguimentos cardíacos podem estar mal-posicionados. Ao analisar o eletrocardiograma é possível, através do marcador elétrico do átrio direito (nó sinusal) estimar as posições atrais; assim, quando depararmos com um eletrocardiograma que apresente ondas P positivas em DI e negativas em aVF, podemos caracterizar que há situs solitus atrial.

Estamos diante do caso de uma criança de 6 anos com diagnóstico tardio de cardiopatia congênita cianogênica, submetida apenas a procedimento paliativo nos primeiros meses de vida e que evoluiu com importante sobrecarga de câmaras direitas.

A grande sobrecarga ventricular direita, que sugere a presença de ventrículo direito sistêmico,  deve nos guiar para os seguintes diagnósticos: tetralogia de Fallot, dupla via de saída de ventrículo direito associado a estenose pulmonar e por último, a transposição de grandes artérias. Tais seriam as condições que levariam a importante sobrecarga ventricular direita com possibilidade de sobrevida sem correção cirúrgica até o presente momento.

A dica do caso está no fato de a criança ter sido submetida a atrosseptostomia por balão. Considerando que o procedimento tenha sido bem indicado, das hipóteses levantadas a única que se beneficiaria do mesmo é a transposição de grandes artérias; tal procedimento permite a mistura adequada do sangue venoso e arterial o que permite que criança seja submetida a correção cirúrgica, seja ela fisiológica ou anatômica, em melhor condições clínicas.

É importante destacar que esse é um caso de transposição de grandes artérias que sobreviveu até idade escolar sem correção cirúrgica. Sabe-se que a sobrevida, sem qualquer procedimento intervencionista no primeiro mês de vida é 65% e no primeiro ano é de 90%.

A transposição de grandes artérias é a cardiopatia congênita cianogênica que incide em 1:3500-5000 nascidos vivos e sua característica principal é a concordância átrio-ventricular e a discordância ventrículo-arterial. Pode estar associada a outras lesões, como a comunicação interventricular, estenose pulmonar ou coarctação de aorta; no entanto, o quadro dito como clássico não apresenta lesões associadas.

As correções inicialmente propostas para a doença eram conhecidas como correção fisiológica (cirurgia de Sennig, cirurgia de Mustard), uma vez que permitiam através da realização de swtich atrial o restabelecimento da circulação em série. A partir dos anos 80, foi proposta a cirurgia de Jatene, em que é realizado o switch arterial, permitindo a circulação “normal”, que é preconizada para ser realizada ainda no período neonatal e tem menor morbi-mortalidade, principalmente no que se refere a arritmias. Vide figuras abaixo:

Cirurgia de Jatene
                                             Cirurgia de Sennig
Cirurgia de Mustard