ECG 04

Paciente 60 anos deu entrada na sala de emergência queixando de palpitações há 72hs da entrada.

ECG a seguir (clique na imagem para ampliar)

Trata-se de paciente de 60 anos com quadro de palpitações e que apresenta os seguintes pontos relevantes no  laudo eletrocardiográfico:

Ritmo sinusal, por ser detectada ondas P precedendo cada complexo qRs, embora por vezes sua vizualização seja um pouco dificultosa, ela pode ser nitidamente identificada como positiva no D2 longo; Eixo elétrico do qRs em torno de zero graus; Observam-se ondas “R” alargadas e monofásicas em D1, V5 e V6,  duração superior à 0,12 s, além de ausência  de onda “q”, nessas derivações; Deslocamento do ST-T na direção oposta à maior deflexão do qRs; QS em V1 e V2, com entalhe pronunciado.

Laudo: Taquicardia sinusal, Bloqueio completo do ramo esquerdo e provável zona inativa ântero-septal.

Discussão: O termo bloqueio de ramo refere-se ao atraso na condução do estímulo elétrico de graus variáveis através do ramo esquerdo do feixe de His, produzindo alterações morfológicas e na duração dos complexos QRS. É dito completo quando este atraso excede 0,06 s.  Como o estímulo é conduzido com extrema lentidão por esse ramo, ocorrerá ativação precoce do lado direito do septo interventricular, ápice e parede livre do ventrículo direito, alterando significativamente  a sequência da despolarização ventricular e nos aspectos morfológicos dos complexos QRS, resultando nas alterações descritas no ECG citado acima.
Segundo O Estudo de Framingham, a incidência de bloqueios de ramos na população geral é de 0,6%, havendo incremento de acordo com a faixa etária. 0,4% antes dos 50 anos, 2% aos 60 anos, 2,3% aos 75 anos e 5,7% após 80 anos. Na ausência de cardiopatia estrutural, a maioria tem caráter benígno. Nos portadores de cardiopatia estrutural, o prognóstico está relacionado à etiologia implicada. No caso do paciente supracitado, o padrão do ECG com qs em V1 e V2 com entalhe importante deve ser considerada etiologia isquêmica. A presença de BRE, tanto na fase precoce quanto tadia nas síndromes coronarianas está associada a risco maior de complicações ou óbito. Na fase aguda, a mortalidade situa-se em torno de 10%. consequente ao extenso dano miocárdico e queda na fração de ejeção, o que resulta em falência de bomba, edema pulmonar e choque cardiogênico. O prognóstico é melhor naqueles que desenvolvem BCRE na fase aguda do infarto (atraso de condução caracterizado como novo), já que  bloqueio prévio ao evento isquêmico agudo já caracteriza extenso comprometimento do sistema de condução.
Dra Maria do Carmo – Médica cardiologista / Pós Graduanda do Serviço de Eletrocardiografia – UNIFESP

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