ECG 10

Este ECG é proveniente de um paciente de 30 anos com história de dor torácica de início há 2 dias. Sem comorbidades prévias. ECG a seguir:

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Laudo final:

Descrição do ECG (áudio):  clique no ícone abaixo para ouvir a explicação

FC=120bpm / Eixo QRS: -10º /QTc normal

Taquicardia sinusal / Supradesnivelamento difuso do segmento ST sugestivo de pericardite aguda (fase I)

O ECG NA PERICARDITE AGUDA

Estágio 1 (fase precoce): elevação difusa do segmento ST (no máximo 5 mm e com concavidade para cima ou normal) com infrades- nivelamento do segmento PR em todas derivações, exceto em aVR (supradesnivelamento do PR).

Estágio 2 (dias): normalização do segmento ST e do PR com achatamento da onda T.
Estágio 3 (dias): inversão gradual da onda T, apresentando-se negativa.

Estágio 4 (dias a semanas): normalização de todo o ECG, ondas T voltando à polaridade positiva.

Atenção: não há formação de ondas Q como ocorre após a fase aguda do infarto agudo do miocárdio (IAM) com supradesnivela- mento do segmento ST (Figura 2).

Na pericardite, não há ondas T hiperagudas como na fase inicial do IAM.

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ECG 03

Este ECG é proveniente de um serviço de emergência no interior do Brasil.

Paciente de 47 anos de idade dá entrada no PS com história de mal estar geral, náuseas , vômitos e palpitações.

Refere ser hipertenso em uso irregular da medicação.

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Dr. Felipe A. O. Souza

Laudo do ECG:

– Ritmo sinusal com Bloqueio átrio-ventricular do segundo grau Mobitz I (Wenckebach) / Área eletricamente inativa com corrente de lesão subepicárdica na parede ínfero-lateral (IAM com supradesnivelamento do segmento ST em evolução).

Comentários e Análise:

O Bloqueio atrio-ventricular de segundo grau Mobitz I ou também chamado de fenômeno de Wenckebach é caracterizado no ECG pelo prolongamento progressivo do intervalo PR a cada batimento até que há uma onda P que não é conduzida aos ventrículos. Na maioria das vezes o bloqueio atrioventricular é suprahissiano (anatomicamente acima do feixe de His), como neste caso onde podemos identificar os complexos QRS ainda estreitos. Além dessas alterações observamos que na parede inferior (DII, DIII e aVF) e existe ondas Q com supradesnivelamento do segmento ST na parede inferior correspondendo a uma síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento do segmento  ST. Na fase aguda do IAM inferior geralmente temos a oclusão da irrigação para o nó AV ( na maioria das vezes ramo da artéria coronária direita) e por efeito de vagotonia associada ao quadro de isquemia aguda bloqueios atrio-ventriculares podem ser transitórios, não necessitando na maioria das vezes de marcapasso transvenoso, pois com a resolução da isquemia (angioplastia primária / trombólise ) há a resolução do bloqueio atrio-ventricular em  até 72hs na grande maioria dos casos.

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DII longo: Note o intervalo PR2 > que o intervalo PR1 e a terceira onda P deste grupo não apresenta complexo QRS conduzido. O segundo e o último complexo QRS do traçado temos 2 ondas P para 1 complexo QRS  (condução 2:1) enquanto nos outros temos  3 ondas P para 2 complexos QRS  (condução 3:2) do fenômeno de Wenckebach.

Abraço a todos!

Dr. Felipe A. O. Souza